Com a chegada do calor, aumentam os passeios ao ar livre, as idas à praia, os banhos no rio e o contacto com a natureza. Para os animais de companhia, estas são também oportunidades de explorar, correr e serem felizes! No entanto, o verão traz consigo um conjunto de riscos dermatológicos que não devem ser ignorados. Entre os mais comuns e incómodos estão as dermatites de verão, inflamações da pele que, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem comprometer seriamente o bem-estar do animal.
Neste artigo, explicamos o que são as dermatites de verão, quais os principais factores de risco, como reconhecer os sinais, prevenir o seu aparecimento e quando deve procurar ajuda veterinária.
As dermatites de verão são inflamações cutâneas que surgem ou se agravam durante os meses mais quentes do ano. A combinação de temperaturas elevadas, maior exposição solar, humidade, pólens e banhos frequentes cria o ambiente ideal para irritações, infeções e alergias cutâneas.
Estas dermatites podem ter várias origens: alérgica, parasitária, fúngica, bacteriana ou até mesmo ambiental. Em muitos casos, o problema começa de forma subtil: uma comichão localizada ou uma vermelhidão discreta, que rapidamente evolui para uma lesão mais extensa, com perda de pelo, feridas, odor desagradável e até mesmo dor.
Calor e humidade
As temperaturas elevadas, associadas a uma maior humidade (seja pelo transpiração natural, pelo ambiente ou por banhos repetidos), criam condições propícias à proliferação de bactérias e fungos na pele.
Parasitas externos
Verão é sinónimo de pulgas, carraças e mosquitos. As picadas destes parasitas, para além de causarem prurido, podem desencadear reações alérgicas e infeções secundárias. A dermatite alérgica à picada da pulga (DAPP) é uma das causas mais comuns de prurido intenso em cães e gatos nesta época.
Alergias sazonais
Durante o verão, os animais de companhia estão mais expostos a pólens, gramíneas, ácaros e esporos fúngicos. Muitos desenvolvem dermatite atópica, uma condição alérgica crónica com manifestações cutâneas. Os sintomas podem intensificar-se nesta altura do ano, mesmo em animais que estão bem controlados noutras estações.
Contacto com substâncias irritantes
Relvados recentemente tratados com fertilizantes ou pesticidas, areia contaminada, águas paradas ou produtos de limpeza usados em casa podem provocar reações cutâneas, especialmente em animais de pele sensível ou com histórico de alergias.
Banhos mais frequentes
Embora o banho seja essencial para a higiene, banhos demasiado frequentes (sobretudo com produtos inadequados) podem remover a barreira lipídica natural da pele, deixando-a mais vulnerável a agressões externas.
Os sinais de dermatites de verão podem variar em função da causa, localização e gravidade. Contudo, os mais comuns incluem:
• Comichão intensa (prurido)
• Lambedura ou mordedura persistente de uma zona específica
• Vermelhidão, borbulhas ou crostas
• Perda de pelo localizada
• Feridas ou descamação
• Odor desagradável da pele
• Pele quente ao toque
• Irritabilidade ou mudanças de comportamento associadas ao desconforto
Estas manifestações podem ocorrer em qualquer parte do corpo, mas são mais frequentes em zonas de contacto com o chão e áreas como as orelhas ou dobras da pele.
Controlo rigoroso de parasitas
A melhor forma de evitar dermatites causadas por pulgas e carraças é garantir que o seu animal está protegido com antiparasitários externos eficazes, durante todo o verão (e idealmente ao longo de todo o ano). Existem soluções em pipeta, comprimido ou coleira. Fale com o seu médico o seu veterinário para escolher a solução mais adequada ao seu animal.
Higiene sim, mas com moderação
Dê banhos regulares, mas evite exageros. Use sempre champôs próprios para animais, suaves, hipoalergénicos e adaptados ao tipo de pele e pelo do seu animal. Após o banho, seque bem todas as zonas, especialmente entre nas dobras de pele e orelhas.
Evitar passeios em zonas tratadas
Se souber que relvados, jardins ou parques foram recentemente tratados com pesticidas ou produtos químicos, evite o contacto com essas áreas. Mesmo após a secagem dos produtos, podem persistir resíduos irritantes.
Ambiente limpo e ventilado
Mantenha a cama e o local onde o animal dorme limpos, secos e bem ventilados. Troque mantas com frequência e evite tecidos que acumulem calor e humidade.
Alimentação equilibrada e suplementação
Uma pele saudável começa por dentro. Uma alimentação rica em ácidos gordos essenciais (ómega-3 e ómega-6), vitaminas e antioxidantes ajuda a fortalecer a barreira cutânea. Em alguns casos, o seu veterinário poderá recomendar suplementos específicos.
O tratamento depende da causa subjacente da dermatite. Em casos leves, pode bastar o uso de champôs terapêuticos, cremes ou sprays tópicos. Nos casos mais severos, poderá ser necessário:
• Antibióticos ou antifúngicos, tópicos ou orais
• Anti-inflamatórios ou corticoides
• Medicação anti-histamínica
• Suplementos alimentares
• Alterações na alimentação
É essencial que qualquer tratamento seja orientado pelo seu médico veterinário. Automedicar ou aplicar produtos inadequados pode agravar o problema ou mascarar os sintomas sem resolver a causa.
Nos gatos, as dermatites podem apresentar-se de forma mais discreta. Como são mais reservados, podem esconder sinais de dor ou comichão. A lambedura excessiva pode passar despercebida, especialmente se o pelo for longo. Em alguns casos, a única pista será uma área sem pelo, uma pequena ferida ou uma mudança subtil de comportamento.
Se notar que o seu gato passa mais tempo a lamber-se, evita o contacto ou está mais irritado, fale com o seu médico veterinário.
Nem todas as comichões no verão são motivo de alarme, mas deve procurar o seu médico veterinário se:
• Os sintomas persistirem por mais de dois dias
• Houver feridas visíveis, odor forte ou secreções
• O animal parar de comer ou parecer apático
• Já tiver histórico de dermatites noutras épocas
• A comichão for intensa ao ponto de causar auto-mutilação
Um diagnóstico precoce é a melhor forma de evitar complicações maiores e garantir um tratamento eficaz e rápido.
As dermatites de verão são um problema comum, mas evitável. O segredo está na prevenção, na vigilância diária e numa boa comunicação com o seu médico veterinário. A pele é o maior órgão do corpo dos nossos animais de companhia, e o seu estado diz muito sobre a saúde geral. Se estivermos atentos, conseguimos antecipar problemas e garantir que o verão seja passado com conforto, sem comichão, feridas ou desconforto.
No Hospital Veterinário de Coimbra, estamos disponíveis para avaliar qualquer alteração cutânea, recomendar o melhor plano de prevenção e assegurar que o seu animal se mantém saudável, por dentro e por fora, durante toda a estação!